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É como se a cada fechar lento dos meus olhos, eu visse os seus olhos, fitando-me e aumentando a minha vontade de mergulhar no seu olhar e de lá não sair jamais. É como se a cada fração de pensamento meu, uma imagem sua aparecesse repentinamente. É como se a cada lembrança sua ou de algum momento em que te avistei, a respiração ficasse mais profunda, as mãos geladas, e o coração disparado. É como se eu vivesse novamente o primeiro dia em que te vi e que me encantei pelo seu olhar e pelo seu sorriso faceiro.

“Noite passada eu tive você, em meus braços e não somente nos meus pensamentos. Tive você como nunca tive e como acho que nunca vou ter, chame isso de amor platônico ou não, se é que isso é amor, nem Platão em plena consciência me reconheceria noite passada. Ninguém me reconheceria, nem eu me reconheci. Desejos profundos nem sempre expressos em meio a uma sociedade tão tradicionalmente desregrada. Enfim, ali nos meus braços, nos seus braços, envolvidos em braços, abraços e amassos. Tive você em um sonho, claro, onde mais poderia ser? Apesar de que de vez em sempre me pego me perdendo em imaginaçõezinhas bem férteis.”
O que dói mais? O sofrimento inicial ou a tristeza de ser ignorado(a) após abrir o seu coração da maneira mais verdadeira possível? Respondo com a segunda opção. O descaso em meio ao seu sentimento é bem pior, aquele momento em que você quer o bem da pessoa e ainda assim está errado(a).
Aaah, e sabe o que dói também? Cansar as pessoas, principalmente aquelas que você tem um sentimento, seja ele qual for. Você se expõe ao máximo, mostra quem você é, a sua alma, o seu sentimento e acaba desabando; mas, apesar disso, cansa com as suas mesmices, loucuras e discursos temperamentais e certas vezes, dramáticos.
Ela vive a felicidade, mas ainda assim procura uma outra, que a muito tempo ela não prova verdadeiramente (certas vezes se pergunta se alguma vez já provou). Ela é feliz, pelo menos sempre tem a mostra um grande sorriso no rosto, mas quer alcançar outro status de felicidade, não que ela se preocupe com o status, ô coisinha mais inútil, mas é que às vezes é preciso sentir-se bem e de outra forma. É preciso, é necessário, mas não vem. “Chega de ficar buscando por aí”, disse ela pra si mesma, “quando eu menos esperar chega”, mas e se inconscientemente ela estiver esperando sempre? Ai que complicado! Deixe-a então, com seus pensamentos, com seus sentimentos cheios de reviravoltas que só sabem atormentá-la, mas que no fundo, no fundo, ela adora! Continua complicada e nada perfeitinha, querendo tudo e todos e não achando o rumo certo do seu coração que além de caminhar por linhas tortas, não anda certo!
“Dava passos pesados, era como se estivesse com galochas encharcadas, mas nem havia chovido, e não tinha galochas… o peso que fazia os seus passos pesados era a dor, a tristeza. Carregava a culpa em seus ombros, que doíam incessantemente. Como teria sido capaz de fazer aquilo com alguém que tanto amava, quer dizer… ainda ama. Era difícil demais admitir o erro. Havia magoado quem mais tinha lhe dado apoio e carinho nos últimos meses, não sabia o que fazer, cada passo, cada respiração lhe fazia lembrar e querer derramar uma lágrima. Lágrima já seca, escassa que custava sair de seus olhos já cheios de olheiras por não conseguir dormir. Noites em claro, seus olhos quase que imploravam para fechar-se mas ele se continha porque ao fechá-los, via ali quem amava e isso lhe doía muito. Até que não conseguiu, rendeu-se ao seu corpo, já exausto de tanto sofrer, fechou seus olhos e dormiu. Sonhou que conquistaria o seu amor de novo… Abrindo os olhos, levantou-se rapidamente, com a disposição de uma criança para brincar, mas a sua era de reconquistar alguém, alguém muito importante, e tinha a certeza de que conseguiria, faria o seu melhor para que isso acontecesse.”
- Ana Letícia Freitass
Quando é que o silêncio voltará a ser sinônimo de paz? Quando é que lembranças ruins vão deixar o pensamento? Quando palavras doces, enfim, invadirão os ouvidos? Quando tudo ou pelo menos algo vai mudar?
Até quando a ignorância dos fatos? Até quando o orgulho de não admitir os erros? Até quando a arrogância de não pedir perdão? Até quando gritos e palavras que machucam ainda estarão ecoando nos ouvidos?
Quando? Até quando?
- Sussurro de Um Anjo